terça-feira, 15 de novembro de 2016

Gurupi terá Centro de Monitoramento Ambiental e Manejo do Fogo



Com o objetivo de avançar, por meio de pesquisa e desenvolvimento científico, o conhecimento sobre o fogo e a dinâmica dos incêndios florestais, a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), em parceria com a Universidade Federal do Tocantins (UFT), campus de Gurupi, inaugura no dia 22 de novembro o Centro de Monitoramento Ambiental e Manejo do Fogo (CEMAF).
A estrutura física do Centro, que compreende uma área aproximada de 500 m², é localizada no campus da UFT de Gurupi, que também cede equipe de docentes e técnicos para as pesquisas e análises. A atuação do CEMAF compreende três áreas: Desenvolvimento (com laboratório experimental de análises químicas), Tecnologia (laboratório de análise de dados e imagens de satélite) e Capacitação (com sala disponível para reuniões, cursos e treinamentos).
De acordo com o coordenador do CEMAF, o professor da UFT Marcos Giongo, a intenção é desenvolver trabalhos técnico-científicos para suprir demandas principalmente na área de monitoramento ambiental. Segundo ele, a partir da análise de imagens de satélite será possível acompanhar problemas como o desmatamento e a dimensão das áreas queimadas no Estado nos períodos críticos. Ele ressalta que uma equipe de cerca de 40 pessoas deve atuar no CEMAF no processamento e análise de dados.


Centro de Monitoramento Ambiental CEMAF conta com sala de treinamento que poderá servir para capacitação debrigadistas para a atuação em campo no combate às queimadas
A parceria entre Semarh e UFT rendeu ao Centro um investimento de meio milhão de reais, recurso oriundo do Banco Mundial por meio do PDRIS (Projeto de Desenvolvimento Regional Integrado Sustentável), revertido em equipamentos de informática, um drone e um veículo. “A cooperação com a Semarh é importante em dois aspectos: o apoio na infraestrutura, com os equipamentos e o veículo, que amplia o potencial de processamento e armazenamento de dados e possibilita a pesquisa em campo; e o apoio técnico, por contribuir nas pesquisas dos acadêmicos da UFT e por utilizar a universidade como suporte para gerar informações”, afirma o professor Marcos.
Outra atividade do CEMAF será acompanhar as ações do MIF (Manejo do Fogo Integrado), realizado por meio do Projeto Cerrado-Jalapão, gerando dados para subsidiar as ações do projeto, direcionar políticas públicas e a gestão ambiental da Semarh. Além disso, a sala de treinamentos poderá servir, no futuro, para a capacitação de brigadistas para a atuação em campo no combate às queimadas.
A secretária do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Meire Carreira, considera que o trabalho realizado no Centro vai gerar dados sobre o fogo e embasar medidas adequadas nas políticas de gestão de incêndios florestais. “O objetivo desse Centro é criar uma referência avançada no monitoramento ambiental, voltada para capacitação e pesquisa, além de prevenção e controle das queimadas na nossa região”, destaca.

Meire ressalta ainda que está previsto ainda investimento na ordem de R$ 600 mil para o CEMAF: “Este recurso está sendo pleiteado junto à GIZ, do governo alemão, para que a gente possa ampliar a capacidade do Centro com a intenção de fomentar a pesquisa, empenhar esforços na capacitação – não só de brigadistas mas também a nível técnico – e também elaborar nossa política estadual do manejo integrado do fogo, que é uma necessidade e algo extremamente novo, não só na esfera estadual como também na federal”.

Seminário
A inauguração do CEMAF acontece dentro da programação do Seminário Regional sobre Manejo Integrado do Fogo: Resultados do Projeto Cerrado-Jalapão, que acontece nos dias 22 e 23 de novembro no campus de Gurupi da UFT. O evento é uma iniciativa conjunta do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e Instituto do Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins) e apoiado pelo Ministério Federal do Meio Ambiente, Proteção da Natureza, Construção e Segurança Nuclear (BMUB) no âmbito de sua iniciativa internacional de proteção do clima (IKI) por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) e do KfW Development Bank e a Caixa.
Na ocasião, serão discutidos os resultados do Projeto Cerrado-Jalapão, considerando o território das ações, as diversas áreas temáticas que compõem o manejo integrado do fogo, bem como as diferentes formas de uso do fogo.

Fonte:atitudeto.com.br

 

CARACTERIZAÇÃO DAS APP’S DOS CÓRREGOS INSERIDOS NO PERÍMETRO URBANO DA CIDADE DE GURUPI–TO



Horrana Ferreira Ribeiro - Fundação Universidade Federal do Tocantins
Jacinto Pereira Santos - Fundação Universidade Federal do Tocantins



INTRODUÇÃO:
A partir de dados demográficos do Brasil, observa-se um aumento na taxa da população urbana. Em Gurupi, cidade situada a 223 km de Palmas, capital do Estado do Tocantins, no decorrer de 10 anos (2000 - 2010), houve um acréscimo populacional de mais de 10.000 habitantes. Segundo dados do Censo Demográfico de 2010 realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Gurupi comporta 76.225 habitantes. A cidade está inserida na área de duas bacias hidrográficas, são elas: Bacia do Rio Formoso do Araguaia e Bacia do Rio Santo Antônio. Na área urbana do município de Gurupi passam quatro córregos principais: Mutuca, Água Franca, Pouso do Meio e Dois Irmãos. A hipótese desse trabalho parte da premissa de que o uso de imagens espaciais do Satélite WorldView-2 permite a caracterização visual das Áreas de Preservação Permanente dos córregos inseridos na área urbana do município de Gurupi-TO.

OBJETIVO DO TRABALHO:
Propor uma metodologia eficiente, prática e com baixo custo financeiro para a avaliação e quantificação das APP’s dos córregos Mutuca, Água Franca, Pouso do Meio e Dois Irmãos inseridos no perímetro urbano da cidade de Gurupi-TO.

MÉTODOS:
Na identificação das Áreas de Preservação Permanente (APP) e áreas degradadas, levou-se em consideração a Lei n° 12.651/2012 do novo Código Florestal Brasileiro, referente aos cursos d’água. Os córregos do município de Gurupi (Água Franca, Dois Irmãos, Mutuca e Pouso do Meio) devem ter uma faixa de nata (vegetação nativa ou não) de 30 metros de largura para cada lado do leito, uma vez que todos os córregos analisados possuem largura inferior a 10 metros. Além disso, como a nascente do córrego Mutuca se encontra dentro do perímetro urbano de Gurupi, em torno desta considera-se 50 metros de APP, de acordo com o art. 2º do Código Florestal Brasileiro. Para caracterizar a área, fez-se a quantificação das áreas degradadas dentro da APP e relacionou-as com a área que deveria ser composta completamente por vegetação.
A classificação utilizada para analisar as áreas degradadas (sem vegetação) foi a Visual.

RESULTADOS E DISCUSSÃO:
Ao analisar os valores de áreas degradadas das APP’s dos córregos inseridos no perímetro urbano do município de Gurupi, ressalta-se a elevada degradação do córrego Mutuca (52,34%). Esse resultado já era esperado, uma vez que o curso natural deste córrego atravessa a região central da cidade, onde o adensamento populacional é elevado.
Através do diagnóstico ambiental realizado na visita presencial das áreas analisadas, foi possível identificar os fatores de degradação ambiental das APP’s dos córregos. Dentre eles, pode-se citar: esgoto, instabilidade de encostas, erosão, assoreamento, resíduos sólidos, fauna e flora. Estes fatores contribuem negativamente para a preservação da vegetação local e são potencializados pela ação humana, que acontece de maneira contínua e desordenada.

CONCLUSÕES:
Os resultados obtidos indicaram a presença de área degrada nas APP´s dos quatro córregos avaliados. Além disso, ressalta-se que essa degradação tende a aumentar nas áreas de maior adensamento populacional ou valor comercial. Esse quadro é de grande questionamento no poder publico, a fim de se decidir se é melhor autorizar intervenções excepcionais sobre um percentual definido das APP’s e poder fiscalizá-las ou proibir integralmente seu uso. A resposta atual é que há uma grande divergência entre os textos legais e as práticas da sociedade. A utilização de imagens de satélites de alta resolução espacial caracteriza-se como num instrumento valioso para estudo de áreas urbanas, próprio para orientar a expansão e planejamento das mesmas, permitindo ao poder público, o controle mais eficiente da ocupação de áreas potencialmente instáveis segundo a Legislação Federal e Municipal. No entanto, o levantamento de dados feito de forma presencial não deve ser excluído e sim acrescentado.


Fonte: www.sbpcnet.org.br